A Associação Profissional dos Repórteres Fotográficos e Cinematográficos do Rio de Janeiro completa hoje, dia 16, 80 anos de atividade na defesa da aplicação da imagem ao Jornalismo, da regulamentação da profissão dos jornalistas e dos jornalistas de imagem.
Cansados de verem os fotógrafos serem constantemente agredidos e pouco valorizados, Raul Machado, do Diário da Noite, Arnaldo Vieira, da Revista da Semana, e mais 60 profissionais decidiram fundar, no dia 16 de fevereiro de 1946, a Associação dos Fotógrafos de Imprensa do Rio de Janeiro, tendo Raul Machado como seu primeiro presidente.
O primeiro estatuto foi criado por Alan Fischer, representante da Associação dos Fotógrafos de Imprensa de Nova Yorque, presente à assembleia de fundação. Seu primeiro nome foi Associação dos Repórteres Fotográficos do Rio de Janeiro, depois Associação dos Repórteres Fotográficos do Estado da Guanabara, e, em seguida, Associação dos Repórteres Fotográficos e Cinematográficos do Rio de Janeiro e, em 1994, para sua denominação atual Associação Profissional dos Repórteres Fotográficos e Cinematográficos do Rio de Janeiro.
A partir do “nascimento” houve muitas conquistas, entre elas a criação da primeira lei que regulamentou a profissão de jornalista. Naquela época, os profissionais tinham hora para entrar no jornal, mas não tinham hora para sair. Uma comissão foi formada para pedir ao presidente Getulio Vargas que criasse uma lei que regulamentasse a carga horária de trabalho da categoria. Assim foram criadas as regulamentações das funções e a carga horária de 5 horas.
A Arfoc-Rio também promoveu eventos. O mais famoso foi o concurso Miss Objetiva, que teve a apresentadora Xuxa como vencedora em 1979, quando tinha 16 anos, descoberta e fotografada pelo fotojornalista Wilson Alves.
Na década de 1980, após o fim da ditadura militar sobre a presidência de Luiz Carlos David, foi criado o Encontro Nacional dos Repórteres Fotográficos que resultou na criação da tabela de preços mínimos para serviços de fotojornalismo, no contrato de licenciamento da obra e o cumprimento da lei de direito autoral (nome do autor na foto). Em 1991, sobre a presidência Alberto Jacob Filho, foi criado o jornal Paparazzi com tiragem de 10 mil exemplares, que se tornou a voz nacional de defesa dos jornalistas de imagem, ganhador por 5 anos consecutivos do Prêmio Aberj-Rio de melhor veículo externo, e promoveu a valorização profissional e salarial dos jornalistas de imagem.
A Associação também realizou diversas exposições fotográficas, congressos dos jornalistas de imagem, participou da criação e organização do Prêmio Embratel de Jornalismo, da fundação das novas Arfoc. Participou ativamente da luta contra o fim da obrigatoriedade do diploma do curso superior para exercer a profissão de jornalista e na defesa da PEC que restabelece a obrigatoriedade do diploma para todas as funções. Sob a liderança da diretoria, os associados impediram, em 2012, a aprovação da proposta apresentada em assembleia pela diretoria do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro, que previa o pagamento de 20% de adicional para o jornalista de texto que também fotografasse.
Hoje, o maior desafio é combater a concessão de registro profissional de jornalista pelo Ministério do Trabalho e Emprego sem nenhum critério técnico que comprove a capacidade para o exercício do jornalismo.
Também combater os “neopelegos”, gente sem nenhuma formação sindical que ascendeu à administração das instituições que são contrárias à lei que regulamenta a profissão de jornalista, filiam qualquer pessoa só por ter registro profissional em todos os Estados do país, e, se não tiver, prometem arrumar em 15 minutos. Além disso, fazem parceria com plataformas de venda de fotografias que exploram os trabalhadores, acabaram com a tabela de preços mínimos e criaram uma outra que avisa o contratante que é de referência (não precisa pagar), porque o valor é de livre negociação entre as partes.
Para ajudar mais os contratantes, criaram um catálogo em que o profissional é iludido a preencher uma ficha com sua capacitação técnica profissional, na esperança de que será selecionado para novos serviços, quando, na verdade, o catálogo serve apenas para o contratante leiloar o valor do trabalho, jogando para baixo o preço da remuneração. Como se não bastasse, ameaçam com processos judiciais os jornalistas de imagem que denunciam e se opõem a práticas que causam prejuízos irreparáveis aos profissionais.
Para chegar aos 80 anos, a Arfoc-Rio precisou da ajuda e dedicação de seus associados, que participam das suas atividades, contribuem financeiramente e dos diretores que dedicaram parte de seu tempo à gestão e administração da associação. Viva a Arfoc-Rio!
