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A edição 2001 contou com 651 trabalhos inscritos, o triplo dos concorrentes do ano anterior. Participaram fotojornalistas de todo o Brasil, com 118 fotografias. A série “Fome”, exibida pelo Jornal Nacional, da TV Globo, foi a grande vencedora do III Prêmio Imprensa Embratel. O documentário mostra um Brasil de famintos e atesta que a cada cinco minutos morre uma criança no País por problemas causados pela falta de comida, porque cerca de 36 milhões de pessoas, no Brasil, não têm o que comer. O repórter de vídeo Marcelo Canelas ao ser anunciado vencedor deixou claro para a imensa platéia presente à festa que na verdade o prêmio de R$ 25 mil pertencia à toda a equipe de reportagem da sucursal de Brasília, responsável pela série. Por isso, chamou ao palco o repórter cinematográfico Lúcio Alves para receber com ele o Grande Prêmio Barbosa Lima Sobrinho, por entender que em TV imagem e texto andam casados. Canelas explicou que não é a primeira vez que uma reportagem em que é o repórter de vídeo sai vencedora e que sempre divide com a equipe, conforme fez nos prêmios Vladimir Herzog e Ayrton Senna. Lúcio Alves, 35 anos, está na TV Globo há cinco e já chegou com o pé direito. No primeiro dia de trabalho, flagrou o tiroteio travado entre a polícia e o assaltante Pareja durante sua fuga do presídio de Goiânia. Conseguiu imagens inéditas da maior fraudadora do INSS do País, a advogada Georgina, dentro do presídio na Costa Rica. Durante as filmagens da série “Fome”, Lúcio lembra que gravou as imagens emocionado: “Foi uma lição de vida, chorei muito durante as entrevistas”. Ele conta que uma das histórias que o sensibilizou mais foi a de uma senhora alcoólatra que não tinha nada para comer mas dizia que o amor de suas duas filhas é que a fazia ficar forte e viva. “Hoje digo para meus filhos não colocarem comida a mais do que vão efetivamente comer para que não joguem alimento fora”. Lúcio começou como assistente, em 1984, no SBT. Depois, passou a cinefotojornalista e foi para a TV Bandeirantes, onde trabalhou por 12 anos. Na Band viajou o mundo todo e fez parte da equipe que descobriu o plano de vôo da fuga de PC Farias, quando passaram pelo Uruguai. Para fazer a série “Fome”, percorreram de carro cinco estados, inclusive o Distrito Federal — o material de trabalho de Lúcio pesa cerca de 10kg. A primeira parte da matéria durou 15 dias, e a segunda 17 dias. Mônica Zarattini foi a grande vencedora da categoria Fotografia. Paulista, é apaixonada pela cidade. “É um desafio mostrar belezas de São Paulo que quase ninguém vê”. Sua foto predileta foi feita durante um sobrevôo de helicóptero pela cidade às 7 da manhã coberta pela névoa. “Estava uma luz linda, incrível e, através da foto, declarei meu amor por São Paulo. A foto, em p/b, foi capa do Estadão. Essa diferença no fotografar faz parte do dia a dia de Mônica. “Procuro ver de uma forma diferente as coisas óbvias, ver aquele momento de um ângulo particular”. Foi assim que ela ganhou o III Imprensa Embratel de Fotografia, com a imagem “Rebelião II”, sobre a triagem de detentos após a rebelião no complexo Carandiru ser controlada. Começou na imprensa sindical, como frila, apesar de formada em História. Durante a campanha de Lula para presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, do ABC, conseguiu o primeiro frila. “Ninguém queria fazer panfletagem em porta de fábrica às 5 da manhã e eu topei. Minha primeira foto de capa foi para a Tribuna Metalúrgica, sobre um ato pela Anistia num campo da Vila Euclides.” Logo depois, suas fotos eram publicadas pelo Diário Popular. Mônica está no jornal O Estado de São Paulo há 13 anos e já coleciona alguns prêmios: Kodak, Defesa do Consumidor e Wladimir Herzog (Menção Honrosa). Participou de várias exposições, individual e coletiva, entre elas “Fotojornalistas Brasileiros”, no MIS, e de algumas publicações, como, por exemplo, os livros da Arfoc/SP. Uma de suas fotos está na galeria do MAM/SP, tema Gente, no título “O Brasil na virada do século, perspectiva do novo milênio”.
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