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ALBERTO JACOB UM MESTRE DO FOTOJORNALISMO

Os anos 60 eram a época de ouro do Jornalismo.
As boas fotos eram disputadas na rua, e o Jornal do Brasil era uma verdadeira escola.

Alberto Jacob, Fotojornalista.

Arquivo Faculdade Facha
Arquivo Faculdade Facha

Alberto Abrahão Jacob foi um fotojornalista pleno, viveu para a fotografia. Para ele não havia pauta ruim, seu lema era “nunca voltar com a câmera vazia”. Sua resposta ao voltar de uma tarefa nunca seria o “nada feito”, sempre havia alguma coisa dentro de sua Nikon e quase sempre de excelente qualidade.

Ele estava no lugar certo na hora certa, como na foto da freira na Avenida Rio Branco, o “Quase Atropelamento”, que lhe rendeu a maior premiação nacional de fotografia: “Prêmio Esso 1971”. Trabalhou no jornal A Noite e foi chamado para a revista Manchete da Editora Bloch, onde fez várias viagens pelo Brasil. Mas foi no Jornal do Brasil onde fez muitas imagens marcantes em uma época que o jornalismo era pujante. Foi também no JB sua grande decepção ao ser demitido após uma brilhante trajetória. Toda redação lamentou sua saída. Foi então chamado para o trabalhar no jornal O Globo, onde ficou 13 anos, e logo, em seguida, foi para a Assessoria de Imprensa da Prefeitura do Rio de Janeiro, onde trabalhou por 16 anos e encerrou sua longa e vitoriosa trajetória.

Muitas imagens suas são marcantes e ficarão para a história como exemplo para os jovens aspirantes que sonham em seguir a profissão de fotojornalista. Uma sequência maravilhos, ao mais puro “Estilo Paparazzi”, em que as imagens fazem a notícia, da milionária Cristina Onassis vale ser ressaltada. Cristina Onassis era uma das mulheres mais ricas do mundo, herdeira de uma frota de navios que navegavam em todas as águas do planeta. Estava se divorciando do marido, e resolveu passar férias no Rio de Janeiro com o namorado, o soviético Sergei Kauzov. Mas o romance teria de ser oculto por causa de implicações jurídicas e as inevitáveis partilhas. Jacob, na época trabalhando em O Globo, foi designado para descobrir o paradeiro da Onassis e, depois de muita procura, conseguiu descobrir o casal em uma das muitas praias da cidade. Começou a clicar, munido de uma teleobjetiva 300mm, mas foi descoberto.

Era difícil se esconder em uma praia ao sol de 40 graus. A bilionária sabia que as fotografias poderiam prejudicá-la, foi em sua direção e propôs um negócio. Jacob daria os filmes e ela daria U$ 50 mil, quantia bem generosa. Aí fica a prova da retidão de caráter do profissional, Jacob rejeitou a oferta e partiu para o jornal para revelar os filmes. Ela, ao prever um escândalo na Europa, foi atrás do registro fotográfico e desembarcou na rua Irineu Marinho em trajes de praia, ainda suja de areia. Foi barrada pelos seguranças, mas, devido à insistência, foi permitida a entrada e o acesso a um dos diretores do jornal. Aí acontece o inusitado, o diretor, depois de conversar com a Onassis, pediu que Jacob entregasse os filmes para ela. Só que Jacob fez o que os bons repórteres de imagem fazem. Para preservar seu trabalho, entregou dois rolos de filmes, só que um deles era um filme virgem. Ela ficou satisfeita e foi embora curtir o namorado.

O filme com o flagrante na praia foi posteriormente entregue por Jacob ao jornal, tendo sido revelado e arquivado. A cúpula do jornal foi convocada e resolveu não publicar, uma decisão inusitada, um enorme erro jornalístico. Jacob ficou muito decepcionado, ninguém entendeu a decisão. Como compensação, ele não recebeu nada, nem gratificação, uma promoção ou aumento de salário, sequer um elogio por escrito. Dois anos depois as imagens foram publicadas na primeira página em uma edição de domingo, com um editorial explicando porque o jornal não havia publicado na época e quase que as fotos são publicadas sem crédito. Mesmo assim foi um furo internacional, embora tardio.

Assim era o Alberto Jacob, um verdadeiro caçador de imagens, capaz de enfrentar a repressão policial como mostram as fotos feitas por Adir Amorim e Alberto França da equipe do Jornal do Brasil, em que policiais a cavalo o agridem covardemente com golpes de espada na cabeça pelo simples ato de fotografar, deixando marcas para sempre. Imagens definitivas, que os “coveiros da história” tentam apagar, mas são imagens que ficarão para sempre. É assim a essência do fotojornalismo da qual Alberto Abrahão Jacob, mesmo em tempos sombrios, soube representar com enorme dedicação e muita dignidade.

 

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